I
è fogo, é luz, queima!
São instantes que sobressaem o todo.
Traz imagens desconhecidas,
efêmeras, mas refugiam as angústias
as inquietações, o medo.
Deturpam os valores e perturbam o sono,
maltratam, torturam.
Pede preços altos, mas me comprometo a pagar.
Eu, infeliz e ingênuo que sou, nem percebo
que daqui a instantes vai embora,
e me rendo a pedidos inoportunos
dessa tal que nem conheço, que nem nome tem,
que nem forma tem.
Mas ela tem a condição,
é mestra em dominação e ilusões.
Agora, passado o incidente, volto a mim.
Tudo igual como sempre,
mas agora com uns dez anos a mais,
e promessas pra cumprir, que sinceramente,
nem me lembro quais.
II
É na volta que sabemos o que é nosso,
o que restou, o que foi adicionado.
Parecia esse vazio estar completo a poucos minutos,
mas o rombo se faz maior agora.
É sempre assim, ela preenche o espaço que sobra,
e por aqui, é só espaço o que há
está tudo vazio, infindas lacunas; a desocupação se instala no todo.
As cores agora são mais foscas e não se misturam.
Perco a arte da aquarela involuntária,
mas ganho a nitidez.
Os sons não se propagam mais tão lentamente,
são coesos e firmes.
Até a luz, que jurava estar apagada, vejo agora estar acesa.
É como se eu acordasse.
III
A presunção arrogante da verdade é que aqui reina.
Nem sabia eu, que aquela mentira que enlouqueceu a muitos,
é o que de mais bonito existe.
Na mentira somos livres, vamos e voltamos e,
nela, o que se chama por ai de descência, moral, ética, pudor e coisas do tipo,
chamamos de correntes.
A ponte é longa e liga extremos tão distantes, e tão distintos,
que o perigo de se cansar no meio do caminho,
e de não poder voltar ou chegar ao outro lado,
faz da travessia, aventura tão grandiosa
que somente aos mediocres interessa permanecer do mesmo lado.
A verdade apareceu tão densa, e tão sem vida
que os que acreditavam por ela serem salvos,
se perderam de vez.
IV
É nas asas da mentira que a luz do ser resplandece.
Toma agora carater tão sublime,
que seduz até o mais fiel dos crentes, os mais grato dos servos,
o mais durão dos juizes.
A moça que pregava a solidão agora dança. Aqueles que pregavam o silêncio agora gritam.
Funde o preto com o branco, e mistura a eles novas cores e,
por mais absurdas as visões que nela se possa ter,
os caminhos são muitos.
O caminho da verdade é um só, e que graça tem
andar se nem podemos nos perder?
Quem precisa da verdade dos Homens afinal?
V
Voltei a mim, e de súbito,
estava novamente chamando por ela.
Por sorte que ela não tem orgulho algum.
Está sempre pronta para servir.
Traz de volta as mesmas sensações que ao irem embora,
trarão essas mesmas ideias a tona.
E voltarei a chama-la, quantas vezes forem necessárias,
para que venham me salvar do mal da vida,
e me levar a algum lugar.
Até que tudo vire cinza, porque ela,
é fogo, é luz, queima!
quarta-feira, 5 de março de 2008
domingo, 2 de março de 2008
Mais de mil pra cada uma
A história da humanidade, do desenvolvimento do homem como um animal,
com seus instintos, intuições e acumulo de conhecimentos,
não serviu para nada além de inventarmos apenas quatro coisas últeis em todos esses milênios:
o vinil, o livro, a pilula-do-dia-seguinte, e a dipirona sódica.
O resto é pura convenção barata,
e não passa de desperdício de tempo e inteligência.
com seus instintos, intuições e acumulo de conhecimentos,
não serviu para nada além de inventarmos apenas quatro coisas últeis em todos esses milênios:
o vinil, o livro, a pilula-do-dia-seguinte, e a dipirona sódica.
O resto é pura convenção barata,
e não passa de desperdício de tempo e inteligência.
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