Não há saudade sem zelo.
Aquela saudade que fazemos questão de que esteja por perto o tempo todo,
ou sempre nos momentos especiais.
Saudade que mesmo machucando tanto, fazemos questão de tirá-las da gaveta,
limpa-las, admirá-las por horas, e interpretando-a cada vez que a vemos.
Sempre arrumamos um motivo para que ela permaneça ali.
Já estamos tão acostumados com elas, que se forem embora,
fará-nos mal pior do que o que faz ali.
Na verdade, acho que passam do plano de serem simplesmente saudade,
mas passam a nos compor, e às congelamos,
com a esperança de que com o futuro, possamos tira-las dali
e viver tudo aquilo de novo.
Nos esquecemos que o passado é muito mais amigo que o futuro.
Nos resignamos. Damo-nos culpa que nem temos
na tentativa de justificar algo perdido.
Ah,como é triste descobrir que perdemos algo tão amado para o nada.
As coisas tem vida, tudo no mundo vibra, é tudo energia e sentimento.
Nós, é que de tão pequenos, não percebemos.
essas coisas, vão estar ali, nos rodeando, por que nos querem ser úteis.
Isso. Essa é a função da saudade, nos ser útil.
O que é um homem sem saudade?
O que é a vida sem lembranças?
Quando a saudade tem sentido, ela perde o encanto.
Saudade boa é aquela que se sente, e nunca se entende.
O pior erro de todos os que fazemos, é recorrer a elas nos momentos
em que não estamos preparados.
Limpa-las fora de hora as aborrece.
Saudade é a forma que o mundo, em parceria com o coração,
arrumou de nos fazer entender o que de fato faz sentido em nossa vida,
para que consigamos achar o nosso caminho.
Por isso, não devemos limpa-las, a sujeira da saudade é a prova de que ela cumpri o seu papel.
Sujeira nada mais é que o tempo, agregando valor às coisas.
Tudo limpo é sem história, sujeira é só saudade.
