A rua dava passagem como um atalho para quem vinha do centro, pra pegar a principal avenida da cidade no sentido sul. Ligava o velho centro, onde antigamente circulava o comercio e a vida cultural da cidade, e consequentemente a classe média, à região sul, onde agora se instalava o desenvolvimento da cidade. Tudo passou por essa rua, e dava a impressão de que a cidade pegou mesmo um atalho, tão rápido foi seu desenvolvimento. Hoje, com o centro deixado de lado, essa rua não tem mais tanta importância, e poucos carros passam por ali, na frente das poucas casas de velhos senhores e senhoras, a jogarem dama e baralho nas calçadas, em bancos que na verdade são troncos de árvores contados, com os tabuleiros sob as pernas que formavam uma mesa. A rua agora quase morre, assim como seus velhos, sem novas pinturas, com as rachaduras do tempo expostas, sem movimentação alguma praticamente. Foram todos esquecidos, a rua, os velhos, o centro... Assim como serão mais tarde esquecidos eu, você, e todos nós, que assim como aquela rua, ganharemos o prestigio do anonimato e o beneficio decadente do tédio após termos tido gasto nosso tempo, e não mais servimos para nada. Somos cada um, um trampolim para o outro, apenas personagens degraus descartáveis.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Rua de Passagem
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Um comentário:
um dos teus textos que mais gostei. muito legal esse daqui!!!
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