quinta-feira, 8 de maio de 2008

O teatro do General de Ferro


Como era o centro das atenções no quartel, o General Machado mantinha sempre aquela pose autoritária, um ar cético, a farda engomada mais que de qualquer um outro. Era obedecido antes mesmo de terminar de dar uma ordem. Seu tom era áspero, e era temido e respeitado. Não havia um só soldado que ousasse desviar-lhe os olhos, e quando ele falava, a atenção era tanta, que alguns chegavam a decorar seus discursos. O café era sempre servido primeiro a ele, sendo a única pessoa a provar antes dele, a cozinheira do quartel, e mesmo assim, apenas para se certificar de que estaria ao agrado do General. Mesmo com todo o controle da situação, não desfazia por um só instante a imagem imponente e severa, firme e rude que lhe rendeu o titulo de “O General de Ferro”. Ao chegar em casa, tirava a farda, e se vestia como qualquer um dos soldados devia ser vestir em casa. Os soldados explorados, subordinados e mal tratados – até com certo gosto – o dia inteiro, ganhavam em casa a atenção da esposa e o carinho dos filhos. O General Machado, em casa, perdia a pose e a atenção. Carinho não tinha de ninguém, nem da fria esposa, nem do filho indiferente. Enquanto os sofridos soldados sorriam em casa, o General de Ferro chorava suas desgraças na cama. E amanhã no quartel, bem cedo, teria inicio novamente todo o teatro do General de Ferro.

Nenhum comentário: