domingo, 27 de abril de 2008

Hotel dos sentimentos

O que abrigava aqui até poucos minutos atrás, parece ter ido embora, de repente, sem aviso, ou sinal algum, justamente da mesma maneira como entrou. Subiu um calor desconhecido, e uma vontade imensa de poder voltar os ponteiros alguns segundos que seja, para ver se pelo menos consigo identificar o momento da saída. De fato, que a saída foi a mais sutil de todas.

Desse modo, procedeu absolutamente ao contrário da maneira como havia chegado, fazendo barulho, tirando o sono, dando tapas e derrubando tudo o que houvesse pela frente. Mais perturbador ainda é agora o sentimento de perda, por essa coisa que nem ao menos possui de fato. Estava aqui por vontade própria, veio como pode, se alojou como quis, e eu, não apresentei resistência alguma. O erro foi ceder abrigo assim a algo tão desconhecido. Mas era tão mais forte...

Do que ficou posso perceber poucas coisas, mas com efeitos colaterais que se destacam de longe dos comportamentos normais e aceitáveis. Uma vontade descontrolada de permanecer sozinho pelo máximo de tempo possível; um asco social impressionante, e a certeza, de que, de maneira alguma, o hotel burro dos sentimentos será tão despretensioso e sem critérios. Será duro, frio, e sem conforto, da mesma maneira como me sinto, ao passar todo esse “turbilhão” provocado por sei lá o que.

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