quinta-feira, 3 de abril de 2008

encontro de rio e mar

O Rio mal tinha chegado ao mar.

Faltava pouco, mais algumas semanas apenas,

algumas curvas e pronto.

Dava pra se avistar o mar dali de onde se encontrava.

(na verdade dava pra avistar de qualquer lugar,

o rio nunca perde o mar de vista),

mas ainda faltava um pouco.

De fato, algo tranquilizava o pobre rio,

a certeza de saber que o mar nunca recusa o rio.

Pode se demorar a chegar, ou às vezes nem o perceber chegando,

já que o mar é tanto, e o rio tão pouco,

mas para o rio, se tornar mar já servia.

O rio sabia que a partir do momento que tocasse o mar pela primeira vez,

todo o esforço feito desde sua nascente,

todos caminhos tortuoso por que passou,

tudo, tudo valeria a pena a partir daquele toque.

Pro mar poderia ser apenas só mais um pouco,

mas para o rio aquilo era tudo.

Mas... com a modernidade e o crescimento das cidades,

às vezes é preciso inferir na natureza, mudar algumas coisas de lugar,

para o desenvolvimento do homem.

Tratores chegavam, placas eram colocadas nas redondezas com avisos de perigo.

O fato era que, o rio seria desviado.

Por algum motivo qualquer,

o encontro de rio e mar parecia estar com os dias contados.

O rio mudaria de rumo, já que o mar agora seria impossível.

Se pudesse falar, pediria para alguém pegar um pouco de sua água,

colocar em uma garrafa, e despejar no mar.

Mas rio não fala.

Acho que o rio escolheu a "hora errada" pra encontrar o mar.

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