O Rio mal tinha chegado ao mar.
Faltava pouco, mais algumas semanas apenas,
algumas curvas e pronto.
Dava pra se avistar o mar dali de onde se encontrava.
(na verdade dava pra avistar de qualquer lugar,
o rio nunca perde o mar de vista),
mas ainda faltava um pouco.
De fato, algo tranquilizava o pobre rio,
a certeza de saber que o mar nunca recusa o rio.
Pode se demorar a chegar, ou às vezes nem o perceber chegando,
já que o mar é tanto, e o rio tão pouco,
mas para o rio, se tornar mar já servia.
O rio sabia que a partir do momento que tocasse o mar pela primeira vez,
todo o esforço feito desde sua nascente,
todos caminhos tortuoso por que passou,
tudo, tudo valeria a pena a partir daquele toque.
Pro mar poderia ser apenas só mais um pouco,
mas para o rio aquilo era tudo.
Mas... com a modernidade e o crescimento das cidades,
às vezes é preciso inferir na natureza, mudar algumas coisas de lugar,
para o desenvolvimento do homem.
Tratores chegavam, placas eram colocadas nas redondezas com avisos de perigo.
O fato era que, o rio seria desviado.
Por algum motivo qualquer,
o encontro de rio e mar parecia estar com os dias contados.
O rio mudaria de rumo, já que o mar agora seria impossível.
Se pudesse falar, pediria para alguém pegar um pouco de sua água,
colocar em uma garrafa, e despejar no mar.
Mas rio não fala.
Acho que o rio escolheu a "hora errada" pra encontrar o mar.

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