quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

In a Safe Place

A imagem foi mudando à medida que as idéias tentavam se manter fixas. Era um trabalho inexplicável manter o pensamento em uma única coisa. A influencia que a paisagem exercia sobre as idéias era grandiosa, tão impossível de se explicar quanto as próprias idéias que vinham surgindo. O sentimento de liberdade era interiorizado como uma lei, como uma tradição que vinha sendo seguida pela cabeça a séculos. Era um estado febril de consciência permanente, porém mutável. Era como chegar em um pais desconhecido, onde se fala um idioma jamais ouvido, e mesmo assim, entender tudo com uma clareza de quem conversa em sua língua de origem, e como se estivesse na sua cidade natal, na rua onde nasceu e cresceu. As formas mudavam lentamente, e era um espetáculo presenciar a disformidade na fusão das imagens durante a mudança. As cores eram desconhecidas. Os olhos saltavam a frente da cabeça, na tentativa de se aproximar delas, mas não conseguiam, eram distantes demais, com uma luz mais clara que qualquer outra vista, mas não cegava e nem cansava os olhos. O celebro em um trabalho intenso de codificações e experiências, que o tornavam a cada instante mais dono de si mesmo, sendo o corpo subjugado a uma escravidão eterna. A sensação era de que o corpo não respeitava a cabeça, mas na verdade, eles jamais se entenderam tão bem, e o que acontecia era apenas um estranho acontecimento, onde não se identificava o que estava acontecendo, mas o bem estar e o prazer proporcionado pelo momento davam a entender que aquilo era uma parque de diversão do inconsciente, que de tão distraído com tudo, brincava em terreno desconhecido, explorando a novidades como quem conhece a si mesmo a cada instante que se passava. Não existia temperatura. Não se podia medir nem calor nem frio, era uma sensação completamente estranha e inédita. Não havia chão, nem céu, era tudo um imenso circulo, onde não se pisava e nem se apoiava em nada, sem cantos formadores de sombra, e sem ventos. Tudo estava em uma perfeita harmonia disforme e conturbada. Era um caos harmônico. O sons também não se distinguiam. Nada parecido com nossos intervalos harmônicos e nem com nossas divisões rítmicos padrões. As acentuações eram impossíveis de ser identificadas, e,

mesmo assim, a sensação continuava sendo a de que aquilo tudo era compreensível. Era como viver uma novidade absoluta, e ao mesmo tempo, tirando já as conclusões e criando antíteses. Não sabia e nem me importava com o nome do lugar, e nem de que maneira fui parar ali, e muito menos me preocupava se permaneceria ali para sempre. Nada passava em minha cabeça que eu já conhecesse. Era vitima conformada das sensações e admirador eterno do que estava presenciando. Ali cairia perfeitamente duas frases, uma que ouvi, e outra que li, que diziam respectivamente: “se tivesse que te dizer tudo que não te direi, terias que entender o que nem eu entendo” e “ ... nada convém que se repita”.

Ao fim de tudo, veio como sintoma, uma vontade descontrolada de chorar. Uma saudade daquele lugar que não se compara a nem um outro tipo de saudade. Uma dor profunda vinha da certeza de que aquilo não poderia se repetir. E uma certeza atormentava-me além de tudo. A certeza de que nada aprendi com aquilo, pois não era de se aprender, era apenas de se sentir. E ah... como eu senti!

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