quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Conclusões após a visita


A visita de hoje à casa de minha mãe,

no antigo bairro onde eu morava,

trouxe novamente lembranças que eu jurava

por tudo que em mim sinto que é puro e sagrado,

jurava que haviam se extinguido por completo

de minha cabeça.

Provo-me, nesse instante mais uma vez,

o quão complicado é fazer afirmações sobre o futuro.

A pouco tempo atrás, poderia dizer de peito aberto,

com orgulho, quão forte eu era, quão prevenido estava

a respeito das coisas do coração. Podia palestrar por

horas para quem quer que fosse, sobre o amor, sobre a

vida, sobre as coisas superiores do homem. Que engano!

Me sinto agora como nos meus 15 anos de idade, completamente

sujeito às novidades da vida, vivendo cada instante,

com a ansiedade e falta de preparo e experiência de 7 anos atrás.

E olhe...como eu me julgava crescido após esse tempo que se passou.

Pensava que problemas dessa natureza,

somente surgiriam a uma pessoa uma vez só.

Pensava que com o tempo iria aprender a lidar com esse tipo de situações.

Ah...deve ser o cigarro! Pensava. Acendia um após o outro, e assim até três

carteiras de cigarros por dia, e ela ainda ali me perturbando.

Ah, então deve ser o café (vício), e após copos e copos de café,

a mesma ansiedade. Dormir não resolvia, nem companhia resolvia.

Nem música, nem livro, nem filmes, nem tocar o violão por horas e horas.

Nem conversas com amigos, e muito menos encher a cara com alguma bebida,

o que por muito tempo foi um santo remédio.

Agora depois de muitos anos pensando nisso, acho que chego à distinção mais madura que já fiz de meus sentimentos.

Essa angustia que sinto, essa vontade insaciável, esse aperto prolongado

que afeta a concentração e me tira o sono a anos fazendo com que

as madrugas se passassem todas com os olhos bem abertos; esse calor incomodo no frio, e esse frio cortante no calor; esse barulho no meio do nada,

que trás a mesma sensação desse silêncio em meio a tanta gente;

essa ausência de cor no arco-íris, e essa apatia, essa preguiça,

não é nada mais que saudade.

Saudade de pessoas que ficaram, de músicas que ouvi e não ouço mais.

Saudades da verdade que vivia com meus 15 aos de idade.

Nada era falso, era tudo a mais pura verdade.

O que eu falava, o que eu sentia, as ridas, os porres.

Hoje, soa tudo uma grande mentira quando eu acordo.

A saudade que eu sinto, além dessas ainda, que não podem mais voltar,

acho que é saudades mim.

Um comentário:

boogienwoogie disse...
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